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Segunda-Feira, 19 de Maio de 2008
PADRE HAROLDO VISITA EL PASO
VISITA A EL PASO
Viagem a El Paso
Relato de Moema Coimbra. “Minha viagem atrasou. O motivo foi devido à greve dos correios, o que fez com que meu passaporte chegasse depois do dia 06, quando embarcou Padre Haroldo. Somente no dia 09 consegui viajar. Fiz conexão em Dallas e cheguei à El Paso no dia 10 às 11h30. Fui ao encontro de Padre Haroldo na Casa dos Jesuítas. Chegando lá, fui recepcionada por um dos padres que me convidou para almoçar. O Padre Haroldo não estava. Apreciei o saboroso almoço, feito por duas cozinheiras mexicanas, com tortillas e pratos típicos, e observei a casa dos jesuítas que é muito antiga e com tetos altos. Na porta do quarto de Padre Haroldo estava um papel dando-lhe boas vindas. Havia mais ou menos 5 padres e 2 noviças. Após o almoço, ajudei a limpar a cozinha e a sala onde almoçamos, agradeci e fui para a sala de estar, onde para minha surpresa, encontrei nosso querido Padre Haroldo conversando com Padre Edmundo. O Padre Edmundo é um homem muito simpático e tem bastante senso de humor. Foi um prazer ouvir os dois conversarem a respeito dos velhos tempos. Padre Edmundo tornou-se “padre” por influência do Padre Haroldo, o qual conseguiu ver nele a aptidão para essa profissão. Sua decisão em se tornar jesuíta foi tomada quando, ainda adolescente, recebeu um pedido do Padre Haroldo para ajudá-lo a limpar um casarão, localizado no centro da cidade de El Paso, destinado a receber rapazes que ficavam nas vielas durante a noite, sem ter algo para fazerem. Neste casarão, Padre Haroldo incentivava os rapazes à aprenderem esportes e outras atividades, e assim, mudou a vida de muitos rapazes dando-lhes amor, disciplina e condições para se tornarem cidadãos dignos com possibilidades de viverem uma vida normal. Depois de conversarmos, Padre Haroldo finalmente me deixou dormir por uma hora e meia, mesmo dizendo que não sentia pena de mim, pois quando chegou não teve tempo para dormir. Enfim, aproveitei o pouco tempo que tinha e fui descansar. Depois, fomos a um Centro de Reabilitação onde, residentes, equipe e amigos esperavam o Padre Haroldo para darem as boas vindas e celebrarem a visita à El Paso. Logo na entrada havia mais ou menos cinco residentes, bem treinados, cantando músicas de boas vindas; havia também, faixas com o seu nome e saborosos “comes e bebes”. Fizemos um turnê pela casa, vimos as salas e os lugares para as reuniões com os residentes e suas respectivas famílias. Mais tarde, o diretor discursou agradecendo a visita de Padre Haroldo. Padre Haroldo também falou um pouco a todos, comemos, conversamos com a equipe e residentes e fomos embora com o casal Rudy e Maria de La Paz até à “Las Alas”. Este lugar substituiu o casarão que Padre Haroldo montou em 1952. Lá, muitas pessoas o esperavam ansiosos, vários o rodeavam pedindo sua atenção, foi quase impossível tira-lo do meio delas. Havia até guardas para controlar a multidão. Todos tinham uma ‘estória de Padre Haroldo’ para contar: de quando e como conheceram o Padre Haroldo, de como foram ajudados por ele, etc. E o Padre Haroldo atendeu a todos com atenção e paciência. Mais tarde, Padre Haroldo e mais algumas celebridades, subiram no palanque para discursarem. A televisão também estava presente para registrar o acontecimento. Todos falaram sobre sua visita e o quanto eles esperaram para que isto acontecesse, alguns até julgaram que nunca mais teriam a oportunidade de vê-lo pessoalmente. Na sua vez, Padre Haroldo explicou sobre o amor e como nasce. Havia camisetas, livros e fotos dele, à venda para levantar fundos para trazer ao Brasil. Sua vaporosidade e capacidade de envolver a todos em sua volta foi maravilhosa e alguns choraram. Outras pessoas que deram palestras, falaram sobre a trajetória de Padre Haroldo, como por exemplo, o Padre Samuel Rosales, um pessoa muito amada pela sua comunidade e que também foi ajudado por Padre Haroldo a seguir essa profissão. Um Juiz que ajudou na causa das ‘gangs’ em El Paso, Chilo, foi um de seus antigos residentes e atualmente é o responsável pelas Clínicas de Reabilitação. Após o encerramento das atividades, fomos embora. Padre Haroldo ficou na Casa dos Jesuítas e eu fui para casa de Rudy e Maria , os quais me hospedaram por todos os quatro dias que lá passei. No dia seguinte, os jornais falavam dos acontecimentos de Padre Haroldo. Quando acordamos, fomos tomar café da manhã num restaurante mexicano para encontrar mais pessoas que também queriam ver Padre Haroldo. Eu comi tortillas, batatas e carne. Padre Haroldo não comeu quase nada porque estava sempre ocupado com as pessoas. Após o café, fomos para casa e fiquei sem mais compromissos para o resto do dia. Padre Haroldo iria a uma reunião falar de negócios. Eu fiquei com Maria em sua casa e curtimos muito uma a outra. Rudy me mostrou fotos de quando esteve no Brasil e disse que gostou muito de sua viagem e que pretende voltar e nos ajudar dando aulas de elétrica. Espero que, sinceramente, isto se concretize pois assim poderemos ter novos métodos para ajudar os residentes que quiserem aprender. No outro dia fomos tomar café da manhã num hotel cinco estrelas. Lá, havia uma média de setenta pessoas. O buffet era americano, cada pessoa passava pela fila e se servia do que queria a vontade. Tudo muito bem organizado, com muito amor e dedicação. Padre Haroldo comeu muito pouco em El Paso, pois muitas pessoas o procuravam enquanto tentava comer e ele queria dar atenção a todos. Nós ficávamos esperando por ele para começarmos a comer. Padre Haroldo é realmente amado pelo povo de El Paso. Sua contribuição na vida de cada um deles foi grande ao ponto de não esquecê-lo e de proporcionarem condições para ele trabalhar com o nosso povo que precisa e quer ajuda. À noite foi a despedida dele. Houve um jantar fabuloso, onde o preço era de US$100,00 por pessoa. Isto tudo para ajudar Padre Haroldo a arrecadar dinheiro para fazer mais ao nosso povo brasileiro. Algumas pessoas deram depoimentos de o quanto Padre Haroldo as ajudaram. Disseram que quando eram adolescentes, viviam nas vielas roubando, usando drogas e brigando com outras ‘gangs’. Hoje, eles são trabalhadores honestos, com suas mulheres e filhos muito bem de vida e ajudando o Padre Haroldo a fazer pelos residentes da APOT no Brasil, o mesmo que fez por eles em El Paso no ano de 1952. Algumas ‘gangs’ se chamavam Lucky 13, The 7X’s, The 14´s , The Little 9ers, a maioria com os nomes baseados no número da rua. Padre Haroldo andava de bicicleta pelas vielas e ruas da cidade, nas noites, parando para conversar com eles, aos poucos foi fazendo amizade e os levando para o Lady´s Youth Center, uma casa a qual estava desabitada e precisava de trabalho para que pudesse ser usada. Aos poucos, ele, juntamente com os próprios residentes, foi arrumando. Essa casa se tornou o lugar deles. Lá, eles jogavam, conversavam e com o tempo começaram a se unir com propósitos de melhorar suas condições de vida. Eles mesmos ajudavam na organização da casa, hoje chamada “Las Alas”. Terminando seu tempo em El Paso, depois de mais ou menos 12 anos de trabalho, Padre Haroldo deixou os residentes voluntários responsáveis para continuar seu serviço. Os quais o fizeram com dedicação e amor. Hoje, existe uma rua com o nome de Padre Haroldo e está pintado em um dos prédios ele andando de bicicleta como nos velhos tempos”. Achei importante dividir essa minha experiência com vocês porque acredito que sabendo disso poderemos entender o quanto podemos mudar a vida de outros quando damos amor. Tive a certeza que as pessoas são eternamente gratas a aqueles que ajudaram fazer suas vidas mudarem para melhor. Moema INSTITUIÇÃO PE. HAROLDO
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