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Terça-Feira, 29 de Julho de 2008
30 ANOS DE INSTITUIÇÃO, 60 ANOS DE SACERDOCIO E 90 ANOS DE VIDA!
30 ANOS DE INSTITUIÇÃO, 60 ANOS DE SACERDOCIO E 90 ANOS DE VIDA!
Saudações
Boa Noite! Na última Segunda Feira, enquanto assinava os cheques para os pagamentos da semana, recebi um telefonema assustador: eu fora escolhido pelos funcionários da Instituição Pe. Haroldo para falar aqui, em nome de funcionários, voluntários e benemerentes, homenageando o meu amigo, Pe. Haroldo. Quase caí da cadeira! Será que teria capacidade de falar em nome de pessoas tão especiais como estas moças e rapazes, estes Srs. e Sras. que trabalham com tanto empenho nas obras de Padre Haroldo? Tal como o profeta Jonas, tentei fugir. No entanto, alguma baleia me tragou e me despejou aqui, na vossa frente. Tentarei, pois cumprir com o que me pediram – e espero conseguir representar este pessoal de primeira grandeza! Primeiro é preciso destacar que há um fosso etário entre Padre Haroldo e eu – pois 30 anos nos separam. Eu, um homem muito perto de 60 anos, com o peso que começa a chegar nesta idade, e ele um entusiasta, mantém o espírito de um homem de 30! Padre Haroldo, portanto são 30 anos mais novos que eu em força e em espírito, é um jovem vigoroso cujo corpo físico atinge os 90 enquanto o vigor e energia seguem com 30! Não é fácil falar sobre Padre Haroldo. Sempre, por mais longo e cuidadoso que seja o preparo, vai ficar muita coisa sem ser mencionada. Falar sobre o Padre Haroldo é falar de sua obra, suas múltiplas atividades, sua dedicação com os seres humanos à sua volta – enfim falar sobre alguém que sabe ouvir, entender o que precisa ser feito, e principalmente, alguém que faz – faz sempre, faz continuamente, faz com entusiasmo, faz com que os que estejam à sua volta também “peguem no batente” e levem adiante o que precisa ser feito! Como alguns aqui já sabem e os demais saberão agora, eu sou Judeu. Padre Haroldo, claro, é Católico. No entanto, nossas formas diferentes de olharmos a Divindade nunca nos colocou em situações de conflito – bem ao contrário, sempre aprendemos e nos enriquecemos ao buscar entender a forma como o outro crê, cultua, admira e se subjuga voluntariamente à vontade Divina. Vocês devem estar se perguntando: o que é que isto tem a ver conosco? Acho que eu tenho uma resposta. Padre Haroldo sempre buscou entender e aprender com os demais, sem julgar, sem pré-concepções, sem idéias firmadas, sem a sensação que só ele teria a verdade. Talvez foi esta sua ímpar capacidade de aceitação dos demais que o levou a acolher prostitutas e meninos de rua, dependentes químicos e órfãos, jovens perdidos e adultos desnorteados, os marginalizados e excluídos. Padre Haroldo, seguindo os princípios de sua fé nunca casou. Ainda assim, ele foi pai e mãe para muita gente, uma parcela dos quais pessoas abandonadas por seus pais, por seus familiares, por seus cônjuges. Pessoas perdidas reencontraram o sopro Divino, através do amor, da compaixão e da dedicação humana. E para esta dedicação humana, Padre Haroldo soube motivar tanta gente dedicada, imbuída de solidariedade e desprendimento. Hoje eu estou aqui falando em nome destas pessoas dedicadas, muitos dos quais eu não sei quem são – pessoas que, apesar de desconhecidas por mim, são muito bem conhecidas por Deus e pelas pessoas que se recuperaram graças a seu trabalho com afinco, sob a liderança de Padre Haroldo. Eu falei um pouco sobre aqueles acolhidos por Padre Haroldo em suas casas para Dependentes, para Meninos e Meninas de Rua, para Prostitutas etc. Mas há outros, fora desta lista, como eu, que devem muito ao Padre Haroldo. Gente cujos filhos ou familiares foram por caminhos absolutamente reprováveis, e que por isso ficaram perdidos, abatidos, abalados, tristes, desesperançados. Padre Haroldo, além da capacidade de ajudar os desprovidos e abandonados, também foi – em muitos momentos – esteio para pessoas magoadas com sua sorte na vida (sorte? A palavra correta não seria azar?). Pais e cônjuges que receberam socos do destino conseguiram levantar-se graças à ajuda de Padre Haroldo. Mas ele foi muito além. Ajudou estas pessoas machucadas a curar suas feridas sem parar por aí. Após curarem suas próprias feridas, com o estímulo do Padre Haroldo, muitos de nós continuamos a curar feridas de outros, multiplicando sua obra! Neste grupo há pessoas de muitas idades, de classes sociais distintas, de religiões diferentes, de múltiplas raças e de todo tipo de situação financeira. Entre todos há um fio de união – a vontade de replicar parcialmente a grande obra de Padre Haroldo. Luta por uma juventude melhor, por famílias mais íntegras, por uma sociedade mais justa (mais justa de verdade e não só em palavras), por minorar sofrimentos, ampliar oportunidades e deixar uma marca neste mundo – assim, quando estivermos nos aproximando de nosso final, possamos com orgulho dizer: eu fiz diferença, minha passagem por aqui não foi em vão. Foi Padre Haroldo quem conseguiu injetar em muitos de nós esta vontade e este compromisso – e por isso somos gratos a ele! Mas não somos só os que o conhecemos que lhe devemos gratidão. Há um público muito maior, gente que talvez nunca ouviu falar em Padre Haroldo e em suas instituições e que lhe devem muito! Devem-lhe gratidão os Governos e a Nação, pois sua obra desafoga hospitais, manicômios e prisões – suprem carências que a sociedade muitas vezes nem sequer enxerga! Devem-lhe gratidão empresas de seguros e de segurança particular, pois graças às atividades de suas obras muitos deixam o caminho do roubo e do crime. Devem-lhe gratidão famílias por todo o Brasil, que aprendem a educar seus filhos, a colocar limites, aprendem a melhorar a si mesmo, como pessoas através de obras como o Amor-Exigente, O TLC, a Renovação Carismática Católica, os cursos de Yoga e Relaxamento, as Comunidades Terapêuticas que ele introduziu no Brasil, muitas das quais são hoje referência internacional no tratamento e recuperação, a Sadhana, as Casas Abertas Guadalupana, O Núcleo de Atendimento a Toxicômanos e Alcoolistas (conhecido como NATA) e outras mais. É bom saber que nem todo mundo ajuda Padre Haroldo. Vou lhes contar uma história, tirada do livro dele – Este Terrível Jesuíta. No livro ele conta a história de Ike e Mike, dois amigos que alugaram uma daquelas bicicletas de dois lugares e saíram alegres a passear. Resolveram então subir uma íngreme colina e quanto mais subiam, mais íngreme a escarpa e mais difícil continuar. Ainda assim chegaram lá em cima. Mike, suando em profusão e com o coração acelerado olhou para trás e disse: “Pensei que não íamos conseguir”. E Ike respondeu: “Se eu não estivesse apertando os freios o caminho todo, com certeza a gente teria rolado colina abaixo”. Me parece que a difícil colina é a luta pela saúde física e mental da juventude. A cada dia aparecem novas formas de desvios do caminho, novas drogas, novos falsos apóstolos, novas formas de colocarem-se em risco. Padre Haroldo é o Mike, que pedala para dominar a colina – e Ike é aquela parte da sociedade segura os freios... Mas há um traço em Padre Haroldo que eu preciso mencionar. É uma das muitas lições que aprendi – que todos nós que tivemos o privilégio de estar perto dele aprendemos – e que diz respeito ao ouvir! Ele sempre diz que temos duas orelhas e uma língua. E que ao nosso redor sempre existe gente cujo aparente talento é falar. Padre Haroldo, que pensou ser médico para ajudar as pessoas – recebeu outra missão de Deus. Ele melhorou a vida de dezenas de milhares, estimulou o voluntariado de tantos, levou sua mensagem a um sem número de pessoas através de 24 livros publicados, através de seu programa semanal na TV, através das palestras que ministra e eventos aos quais comparece. Poderíamos listar os prêmios que Pe. Haroldo recebeu mundo afora, o fato de ser Vice Presidente da WFTC, sua liderança no projeto embrionário de “União das Religiões na Prevenção às Drogas”. Mas não haveria papel suficiente para escrever tudo! Simplesmente porque Pe. Haroldo supera todas nossas expectativas! Padre Anthony Mello – magnífico colecionador de histórias, Jesuíta e Mestre de Sadhana como Padre Haroldo – coletava histórias. Eis uma das histórias coletadas por ele. Um Rabino, que sua congregação considerava um santo, desaparecia toda semana na véspera de Shabat, reaparecendo só nos últimos minutos antes das orações. A Congregação suspeitava que ele ia encontrar-se com D-us. Resolveram então nomear um espião que seguisse o Santo mestre e o homem se pôs a trabalho. Eis o que ele viu. O Rabino se disfarçava, vestindo trapos de mendigo e dirigia-se a uma casa de uma pobre mulher paralítica, que não era da Congregação e nem sequer era Judia. Lá ele varria e escovava o chão, lavava as roupas, preparava a comida e colocava uma farta e bonita ceia de Shabat para a mulher. Quando o espião chegou à Sinagoga, a congregação perguntou: Onde é que foi o Rabino? Ele subiu aos céus?” O espião respondeu: “Não, meus amigos. Ele foi muito mais alto”. Padre Anthony Melo também conta sobre um mosteiro onde a regra não era “Não Fale” mas sim “Não fale a menos que você possa melhorar o silêncio”. Padre Haroldo, quando fala, melhora o mundo. E tem constantemente ido mais alto que aos céus! Em nome dos que me delegaram a fala – seus funcionários, seus voluntários, seus benemerentes e seus amigos – e em meu humilde nome, muito obrigado, Pe. Haroldo!!! MARCOS SUSSKIND
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